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CRIEI ESTE BLOG - em homenagem a Comunidade
- RECANTO DE AMOR E PAZ - Tentarei passar para os usuários e amigos, um pouco de
AMOR, PAZ, CONFIANÇA, ESPERANÇA, FÉ, ALEGRIA, FELICIDADE, AMIZADE, OTIMISMO,
através de mensagens escritas e visualizadas; buscarei na net tudo que for de
mais lindo e postarei aqui, sempre focando o nosso objetivo, o AMOR e a
PAZ.

Ainda, como amadora que sou e aprendiz da doutrina, tentarei passar
um pouquinho de Conhecimento sobre a Doutrina Espírita de Allan Kardec, buscando
dados em Sites sérios. Tudo, será distribuido em vários Tópicos. Agradeço as
minhas fiéis colaboradoras – MEDIADORAS DA COMUNIDADE RECANTO DE AMOR E PAZ:-
ANDREA- DENISE- VELUS- RITINHA- ANA MARIA, Sem a ajuda de vocês AMIGAS não
teriamos chegado até aqui.


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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Oração para um amor perdido


Senhor, às vezes sinto vontade de desistir de tudo: tudo me parece sem valor, não consigo progredir, não vejo com otimismo meu futuro. Quantas decepções tive e quanto meu coração se encontra machucado. Acreditei no amor de quem me dizia amar e vi meu castelo desabar em fartas ruínas. Acreditei na felicidade e me deparei com uma imensa dor. Acreditei na amizade e quanto fui decepcionada(o).Por estas razões, Senhor, estou diante de Vós, pedindo-Vos que eu volte a acreditar que uma dia possa ser feliz. Sinto um imenso medo em sofrer de novo e acredito que já não teria estrutura alguma, frente a uma nova decepção. Embora sabendo que nas amargas horas consigo avaliar melhor a vida e minhas atitudes, sinto-me triste.Fazei, Senhor, que eu consiga sonhar um novo sonho e que se torne real como tanto desejo. Curai as chagas de meu coração que tanto padece de solidão e angústia. Trazei-me de volta a alegria de amar, viver, recomeçar. Colocai em minha alma de volta a esperança, a paz, a alegria, a fortaleza de quem sabe que o sol brilha todos os dias, mas a cada manhã, de forma diferente. Diante das noites escuras, eu me lembre que quanto mais é escura a noite, melhor posso ver as estrelas. Tornai-me tudo novo, Senhor. Eliminai de mim tudo o que maltrata minha alma e colocai no lugar, santos e firmes alicerces que me levem a nunca desistir de ser feliz. Concedei-me Vossa constante proteção. Sendo Rei e meu Pai, estendei Vossas mãos generosas para esta(e) vossa (o)serva(o) e filha(o), que tanto Vos ama.


Amém.


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Oração Para o Alcoolismo


Meu Deus, a minha fé se firma no poder superior de Vossa Divindade. O Vosso poder contrasta com a minha fraqueza. Basta um copo de bebida para me derrotar e humilhar ! O pior é que a minha doença envergonha e faz sofrer toda a minha família...Meu Deus, ajudai-me e socorrei-me !Que a Vossa bondade infinita perdoe os meus fracassos; a Vossa graça levante a minha vontade e me torne capaz de vencer a tentação do álcool.Nossa Senhora, refúgio dos pecadores, e consoladora dos aflitos, rogai por mim e por todos os alcoólatras.
Amém.


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Oração de Santa Sara Kali

"Santa Sara, pelas forças das águas, Santa, com seus mistérios, possa estar sempre ao meu lado, pela força da Natureza.Nós, filhos dos ventos, das estrelas e da lua cheia, pedimos à senhora que esteja sempre ao nosso lado; pela figa, pela estrela de 5 pontas; pelos cristais que hão de brilhar sempre em nossas vidas. E que os inimigos nunca nos enxerguem, como a noite escura, sem estrelas e sem luar.A Tsara é o descanso do dia-a-dia, a Tsara é a nossa tenda. Santa Sara, me abençoe; Santa Sara, acompanhe. Santa Sara, ilumine minha Tsara, para que a todos que batam a minha porta, eu tenha sempre uma palavra de amor e de carinho. Santa Sara, que eu nunca seja uma pessoa orgulhosa, que eu seja sempre a mesma pessoa humilde.

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Oração de São Francisco


Oração de São Francisco

Senhor fazei de mim um instrumento de vossa paz
Onde houver ódio que eu leve o amor
Onde houver ofensa que eu leve o perdão
Onde houver discórdia que eu leve a união
Onde houver dúvida que eu leve a fé
Onde houver erro que eu leve a verdade
Onde houver desespero que eu leve a esperança
Onde houver tristeza que eu leve a alegria
Onde houver trevas que eu leve a luz
Oh! Mestre, fazei com que eu procure mais consolar do que ser consolado, compreender do que ser compreendido, amar do que ser amado, pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se nasce para a vida eterna.

Amém.
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Uma prece matinal

Uma prece matinal

Infinito Deus de misericórdia e sabedoria, mais um dia diante de mim.
Apresento-te as minhas preces para agradecer o descanso desta noite e a claridade desta nova manhã, e o retorno da consciência, em virtude das oportunidades que me são oferecidas para prosseguir no Grande Trabalho e na Missão de minha Vida.
Que todos os momentos desta jornada sejam iluminados com uma disposição fundamental de buscar-te.
Que os meus essenciais deveres e obrigações desta existência sejam realizados com amor e atenção; dá-me força para não considerá-los como doloroso fardo, mas que eles me sirvam como o alimento oportuno para conseguir as forças redentoras desta passagem pelo mundo material.
Dá-me um sorriso acolhedor e um coração aberto para com todos os seres vivos, e que os necessitados partilhem comigo aquilo que desfruto.
Autor desconhecido

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Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.



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Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.


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A questão mais aflitiva para o espírito no Além é a consciência do tempo perdido.

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Nossa Senhora de Fátima



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Deus é Brasileiro


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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

PAI NOSSO II

J.B.Roustaing em " Os Quatro Evangelhos."






Pai nosso :- nosso Criador, de quem todos provimos;- que estás nos céus- que estás tão acima de todas as criaturas humanas, tão elevado que tens por morada o infinito, dentro do qual não te podem descobrir os nossos olhos impuros.


Santificado seja o teu nome : - que cada uma das tuas criaturas te bendiga o nome;- que, por seus atos e pensamentos, todas demonstrem até que ponto honram a poderosa fonte donde provieram; - que em seus corações nada exista capaz de ofender aquele que é a pureza absoluta.
Venha o teu reino:- que todos os homens se submetam à tua lei;- que conheçam e abençoem o manancial donde tiraram a existência.


A tua vontade seja feita, assim na Terra como no céu:- que todos os homens, submissos às leis imutáveis que lhes impuseste, as pratiquem com amor, com reconhecimento, tendo por escopo honrar-te e glorificar-te, do mesmo modo que os Espíritos bem-aventurados se submetem às tuas vontades sublimes, felizes por serem delas humildes instrumentos executores.


Dá-nos hoje o pão de cada dia:- o pão que está acima de qualquer substância- concede-nos Senhor, cada dia, os alimentos necessários à existência material que nos deste;- que esses alimentos não nos proporcionem mais que o sustento preciso, sem contribuírem de maneira alguma para alentar os nossos apetites grosseiros;- faze Senhor, que sustentados por esse alimento passageiro, possamos implorar eficazmente e receber o pão da vida, único que nos levará aos pés de tua eternidade.


Perdoa as nossas dívidas, como perdoamos aos nossos devedores:- que a tua bondade se estenda por sobre nós, criaturas ínfimas, sempre rebeladas contra as tuas sublimes vontades,- perdoa-nos a nós que tantas vezes temos falido e falimos a cada segundo da nossa vida;- que a tua misericórdia se derrame sobre nós. Mas, como o amor e o perdão são lei na nossa existência, se deixarmos de a praticar , que a tua justiça se exerça sobre nós, pois, nos disseste, pela boca de teu celeste enviado, nosso Mestre, governador e protetor do nosso planeta: "Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam; abençoai os que vos amaldiçoam(...) ".


E não nos deixes entregues à tentação:- dá-nos, bom Deus, força para resistirmos aos maus institintos da nossa natureza tão má- fortalece-nos a coragem, revigora-nos as energias tantas vezes abatidas;- que o teu pensamento erga permanente e intransponível barreira entre o pecado que tanto te desagrada e os teus servos indignos, mas desejosos de merecerem as tuas graças, a fim de que possamos levar a cabo as nossas provações terrenas, sem fraquezas nem desfalecimentos.

Livra-nos do espírito do mal:- permite Senhor que, cercados pelos bons Espíritos, submissos a seus conselhos, inspirações e ensinamentos, consigamos pela pureza de nossos corações, afastar os maus Espíritos, que tentam incessantemente apoderar-se de nós e que freqüentemente nos arrastam para o mau caminho (...).


Assim seja, pois que te pertecem o reinado, o poder e glória:- só tu, Senhor,és grande, pois que estás acima de tudo, és o único criador de tudo que se move no espaço infinito, és onipotente na imensidade, és nosso juiz supremo, nosso soberano, nosso rei bem-amado;- a ti as homenagens dos nossos corações, a ti os nossos cânticos eternos;- faze, Senhor,que bem cedo nos seja dado unir nossas vozes às dos Espíritos bem-aventurados que celebram a tua glória, a tua grandeza e, sobretudo a tua bondade infinita.



Extraído do livro "O Espiritismo de A a Z ". editora FEB, citação no.179 (J.B.Roustaing- Os Quatro Evangelhos)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

PAI NOSSO I - ORAÇÃO DO SENHOR JESUS

O "Evangelho Segundo o Espiritismo. "



Os Espíritos recomendaram colocar o Pai Nosso não só como prece, mas também como símbolo. É a prece que nos foi deixada por Jesus e representa um modelo perfeito de concisão, resumindo todos os deveres do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o próximo. Encerra uma profissão de fé, um ato de adoração e de submissão, o pedido das coisas necessárias à vida e o princípio da caridade.








Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome!



Cremos em ti, Senhor, porque tudo revela o teu poder e a tua bondade. A harmonia do Universo dá testemunho de uma sabedoria, de uma prudência e de uma previdência que ultrapassam todas as faculdades humanas. Em todas as obras da Criação, desde o raminho de erva minúscula e o pequenino inseto, até os astros que se movem no espaço, o nome se acha inscrito de um ser soberanamente grande e sábio. Por toda a parte se nos depara a prova de paternal solicitude. Cego, portanto, é aquele que te não reconhece nas tuas obras, orgulhoso aquele que te não glorifica e ingrato aquele que te não rende graças.



Venha a nós o teu reino!



Senhor, deste aos homens leis plenas de sabedoria e que lhes dariam a felicidade, se eles as cumprissem. Com essas leis, fariam reinar entre si a paz e a justiça e mutuamente se auxiliariam, em vez de se maltratarem, como o fazem. O forte sustentaria o fraco, em vez de o esmagar. Evitados seriam os males, que se geram dos excessos e dos abusos. Todas as misérias deste mundo provêm da violação de tuas leis, porquanto nenhuma infração delas deixa de ocasionar fatais conseqüências.Deste ao bruto o instinto, que lhe traça o limite do necessário, e ele maquinalmente se conforma; ao homem, no entanto, além desse instinto, deste a inteligência e a razão; também lhe deste a liberdade de cumprir ou infringir aquelas das tuas leis que pessoalmente lhe concernem, isto é, a liberdade de escolher entre o bem e o mal, a fim de que tenha o mérito e a responsabilidade das suas ações.Ninguém pode pretextar ignorância das tuas leis, pois, com paternal previdência, quiseste que elas se gravassem na consciência de cada um, sem distinção de cultos, nem de nações. Se as violam, é porque as desprezam.Dia virá em que, segundo a tua promessa, todos as praticarão. Desaparecido terá, então, a incredulidade. Todos te reconhecerão por soberano Senhor de todas as coisas, e o reinado das tuas leis será o teu reino na Terra.Digna-te, Senhor, de apressar-lhe o advento, outorgando aos homens a luz necessária, que os conduza ao caminho da verdade.


Faça-se a tua vontade, assim na Terra como no Céu.



Se a submissão é um dever do filho para com o pai, do inferior para com o seu superior, quão maior não deve ser a da criatura para com o seu Criador! Fazer a tua vontade, Senhor, é observar as tuas leis e submeter-se, sem queixumes, aos teus decretos. O homem a ela se submeterá, quando compreender que és a fonte de toda a sabedoria e que sem ti ele nada pode. Fará, então, a tua vontade na Terra, como os eleitos a fazem no Céu.



O pão nosso de cada dia, nos dai hoje !



Dá-nos o alimento indispensável à sustentação das forças do corpo; mas, dá-nos também o alimento espiritual para o desenvolvimento do nosso Espírito.O bruto encontra a sua pastagem; o homem, porém, deve o sustento à sua própria atividade e aos recursos da sua inteligência, porque o criaste livre.Tu lhe hás dito: “Tirarás da terra o alimento com o suor da tua fronte.” Desse modo, fizeste do trabalho, para ele, uma obrigação, a fim de que exercitasse a inteligência na procura dos meios de prover às suas necessidades e ao seu bem-estar, uns mediante o labor manual, outros pelo labor intelectual.Sem o trabalho, ele se conservaria estacionário e não poderia aspirar à felicidade dos Espíritos superiores.Ajudas o homem de boa-vontade que em ti confia, pelo que concerne ao necessário; não, porém, àquele que se compraz na ociosidade e desejara tudo obter sem esforço, nem àquele que busca o supérfluo. (Cap. XXV.) Quantos e quantos sucumbem por culpa própria, pela sua incúria, pela sua imprevidência, ou pela sua ambição e por não terem querido contentar-se com o que lhes havias concedido! Esses são os artífices do seu infortúnio e carecem do direito de queixar-se, pois que são punidos naquilo em que pecaram.Mas, nem a esses mesmos abandonas, porque és infinitamente misericordioso. As mãos lhes estendes para socorrê-los, desde que, como o filho pródigo, se voltem sinceramente para ti.(Cap. V, nº 4.) Antes de nos queixarmos da sorte, inquiramos de nós mesmos se ela não é obra nossa. A cada desgraça que nos chegue, cuidemos de saber se não teria estado em nossas mãos evitá-la. Consideremos também que Deus nos outorgou a inteligência para tirar-nos do lameiro, e que de nós depende o modo de a utilizarmos.Pois que à lei do trabalho se acha submetido o homem na Terra, dá-nos coragem e forças para obedecer a essa lei. Dános também a prudência, a previdência e a moderação, a fim de não perdermos o respectivo fruto.Dá-nos, pois, Senhor, o pão de cada dia, isto é, os meios de adquirirmos, pelo trabalho, as coisas necessárias à vida, porquanto ninguém tem o direito de reclamar o supérfluo.Se trabalhar nos é impossível, à tua divina providência nos confiamos.Se está nos teus desígnios experimentar-nos pelas mais duras provações, mau grado aos nossos esforços, aceitamo-las como justa expiação das faltas que tenhamos cometido nesta existência, ou noutra anterior, porquanto és justo. Sabemos que não há penas imerecidas e que jamais castigas sem causa.Preserva-nos, ó meu Deus, de invejar os que possuem o que não temos, nem mesmo os que dispõem do supérfluo, ao passo que a nós nos falta o necessário. Perdoa-lhes, se esquecem a lei de caridade e de amor do próximo, que lhes ensinaste. (Cap. XVI, nº 8.) Afasta, igualmente, do nosso espírito a idéia de negar a tua justiça, ao notarmos a prosperidade do mau e a desgraça que cai por vezes sobre o homem de bem. Já sabemos, graças às novas luzes que te aprouve conceder-nos, que a tua justiça se cumpre sempre e a ninguém excetua; que a prosperidade material do mau é efêmera, quanto a sua existência corpórea, e que experimentará terríveis reveses, ao passo que eterno será o júbilo daquele que sofre resignado. (Cap. V, nº 7, nº 9, nº 12 e nº 18.)



Perdoa as nossas ofensas, como perdoamos aos que nos ofenderam.



Perdoa as nossas ofensas, como perdoamos aos que nos ofenderam.Cada uma das nossas infrações às tuas leis, Senhor, é uma ofensa que te fazemos e uma dívida que contraímos e que cedo ou tarde teremos de saldar. Rogamos-te que no-las perdoes pela tua infinita misericórdia, sob a promessa, que te fazemos, de empregarmos os maiores esforços para não contrair outras.Tu nos impuseste por lei expressa a caridade; mas, a caridade não consiste apenas em assistirmos os nossos semelhantes em suas necessidades; também consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. Com que direito reclamaríamos a tua indulgência, se dela não usássemos para com aqueles que nos hão dado motivo de queixa? Concede-nos, ó meu Deus, forças para apagar de nossa alma todo ressentimento, todo ódio e todo rancor. Faze que a morte não nos surpreenda guardando nós no coração desejos de vingança. Se te aprouver tirar-nos hoje mesmo deste mundo, faze que nos possamos apresentar, diante de ti, puros de toda animosidade, a exemplo do Cristo, cujos últimos pensamentos foram em prol dos seus algozes. (Cap. X.) Constituem parte das nossas provas terrenas as perseguições que os maus nos infligem. Devemos, então, recebê-las sem nos queixarmos, como todas as outras provas, e não maldizer dos que, por suas maldades, nos rasgam o caminho da felicidade eterna, visto que nos disseste, por intermédio de Jesus: “Bem-aventurados os que sofrem pela justiça!” Bendigamos, portanto, a mão que nos fere e humilha, uma vez que as mortificações do corpo nos fortificam a alma e que seremos exalçados por efeito da nossa humildade. (Cap.XII, nº 4.) Bendito seja teu nome, Senhor, por nos teres ensinado que nossa sorte não está irrevogavelmente fixada depois da morte; que encontraremos, em outras existências, os meios de resgatar e de reparar nossas culpas passadas, de cumprir em nova vida o que não podemos fazer nesta, para nosso progresso. (Cap. IV, e cap. V, nº 5.) Assim se explicam, afinal, todas as anomalias aparentes da vida. É a luz que se projeta sobre o nosso passado e o nosso futuro, sinal evidente da tua justiça soberana e da tua infinita bondade.



Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. (1)



Dá-nos, Senhor, a força de resistir às sugestões dos Espíritos maus, que tentem desviar-nos da senda do bem, inspirando-nos maus pensamentos.Mas, somos Espíritos imperfeitos, encarnados na Terra para expiar nossas faltas e melhorar-nos. Em nós mesmos está a causa primária do mal e os maus Espíritos mais não fazem do que aproveitar os nossos pendores viciosos, em que nos entretêm para nos tentarem.Cada imperfeição é uma porta aberta à influência deles, ao passo que são impotentes e renunciam a toda tentativa contra os seres perfeitos. É inútil tudo o que possamos fazer para afastá-los, se não lhes opusermos decidida e inabalável vontade de permanecer no bem e absoluta renunciação ao mal.Contra nós mesmos, pois, é que precisamos dirigir os nossos (1) Algumas traduções dizem: Não nos induzas à tentação (et ne nos inducas in tentationem). Essa expressão daria a entender que a tentação promana de Deus, que ele, voluntariamente, impele os homens ao mal, idéia blasfematória que igualaria Deus a Satanás e que, portanto, não poderia estar na mente de Jesus.É, aliás, conforme à doutrina vulgar sobre o papel dos demônios. (Veja-se: O Céu e o Inferno, 1ª Parte, cap. IX, "Os demônios".) esforços e, se o fizermos, os maus Espíritos naturalmente se aafastarão, porquanto o mal é que os atrai, ao passo que o bem os repele. (Veja-se aqui adiante: “Preces pelos obsidiados”.) Senhor, ampara-nos em nossa fraqueza; inspira-nos, pelos nossos anjos guardiães e pelos bons Espíritos, a vontade de nos corrigirmos de todas as imperfeições a fim de obstarmos aos Espíritos maus o acesso à nossa alma. (Veja-se aqui adiante o nº 11.) O mal não é obra tua, Senhor, porquanto o manancial de todo o bem nada de mau pode gerar. Somos nós mesmos que criamos o mal, infringindo as tuas leis e fazendo mau uso da liberdade que nos outorgaste. Quando os homens as cumprirmos, o mal desaparecerá da Terra, como já desapareceu de mundos mais adiantados que o nosso.O mal não constitui para ninguém uma necessidade fatal e só parece irresistível aos que nele se comprazem. Desde que temos vontade para o fazer, também podemos ter a de praticar o bem, pelo que, ó meu Deus, pedimos a tua assistência e a dos Espíritos bons, a fim de resistirmos à tentação.


Assim seja.



Praza-te, Senhor, que os nossos desejos se efetivem. Mas, curvamo-nos perante a tua sabedoria infinita. Que em todas as coisas que nos escapam à compreensão se faça a tua santa vontade e não a nossa, pois somente queres o nosso bem e melhor do que nós sabes o que nos convém.Dirigimos-te esta prece, ó Deus, por nós mesmos e também por todas as almas sofredoras, encarnadas e desencarnadas, pelos nossos amigos e inimigos, por todos os que solicitem a nossa assistência e, em particular, por N...Para todos suplicamos a tua misericórdia e a tua bênção.Nota — Aqui, podem formular-se os agradecimentos que se queiram dirigir a Deus e o que se deseje pedir para si mesmo ou para outrem. (Vejam-se, adiante, as preces nº 26 e nº 27.)


( 1 ) Algumas traduções trazem : Não nos induzas à tentação(et ne nos inducas in tentatiinem); essa expressão daria a entender que a tentação vem de Deus, que incita voluntariamente os homens à prática do mal, pensamento ultrajante e insultuoso que assemelharia Deus a Satã e que não poderia t er sido o de Jesus, porque está de acordo com a doutrina comum sobre o papel dos demönios (Consulte O Céu e o Inferno, Cap. 10).

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Fotos de Bezerra de Menezes







Consultório do Dr. Bezerra de Menezes no Rio de Janeiro.
Local onde ele clinicava.










Bezerra de Menezes

Adolfo Bezerra de Menezes nasceu no dia 29 de agosto de 1831, na Província do Ceará, na localidade chamada Riacho do Sangue, cidade do Crato.
Era filho de Antônio Bezerra de Menezes e de dona Fabiana de Jesus Maria Bezerra. Aos 7 anos de idade matriculou-se na escola pública de “Vila do Frade”.
Em outubro de 1846 matriculou-se no Liceu de Humanidades, na capital da província, para onde haviam se mudado seus pais. Em 1850 obteve o título de bacharel. No dia 5 de fevereiro de 1851, seguiu para a Corte, onde se matriculou na Escola de Medicina. Estudante pobre, passou a ensinar para se manter. Em 10 de dezembro de 1856 recebeu o grau de doutor.
Com 25 anos estava Bezerra de Menezes formado em medicina. Associando-se a um colega, instalou-se com consultório em uma pequena sala no centro comercial do Rio de Janeiro.
Em pouco tempo seu nome começava a projetar-se, denunciando “notável intuição de médico na arte de curar”. Porém, a imensa clientela não rendia. Ninguém pagava porque toda ela era de gente absolutamente pobre e, por isso, Bezerra de Menezes nunca lhe falou em dinheiro.
Por convite de um professor que o conheceu quando cursava o 2o. Ano médico, foi admitido como cirurgião tenente do Exército.
Conceituado como cirurgião, pelo dedicado estudo e aprofundados conhecimentos da especialidade, valeram-lhe o seu ingresso, como sócio efetivo, na Academia Nacional de Medicina.
Sem se envaidecer com os triunfos nos meios científicos, continuava a atender a sua clientela, sempre pobre e que cada vez mais aumentava. Foi daí que nasceu a sua popularidade para conquistar o nobre título de “médico dos pobres”.
Em 6 de novembro casou-se com d. Maria Cândida de Lacerda Prego, cuja união não durou muito. No dia 24 de março de 1863, após rápida enfermidade, morria sua esposa deixando-lhe dois filhos pequenos.
Em plena viuvez, com dois filhinhos, Adolfo e Antonio, de três e um ano de idade, o seu lar se tornou triste e o desalento por muito tempo o dominou.
Vencida a grande crise, temperado nesse cadinho sinistro das grandes provações, retornou, fortalecido, às atividades habituais. Em 21 de janeiro de 1865, casa-se pela segunda vez com dona Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã materna de sua primeira mulher e de quem teve nove filhos.
A segunda esposa foi quem o acompanhou até cerrar os olhos, seguindo-o e amparando-o com carinho.
Esquecido da vida publica e das criaturas que o cercavam, desiludido, voltou mais ativamente ao exercício da sua profissão, para entregar-se exclusivamente, sem outra preocupação senão a de ser o “Médico dos Pobres”.
Assim, vamos encontra-lo à frente do seu consultório, na Farmácia Cordeiro, na estação de Riachuelo, à rua 24 de Maio, atendendo às centenas de consulentes pobres.
Foi ali que a sua bondade atingiu à culminância, com o caráter de uma autêntica missão apostólica. Ele receitava, aconselhando o que a bondade lhe ditava. Dava medicação para o corpo e bálsamo para o espírito. Os desprotegidos entravam na Farmácia Cordeiro com o amargor a lhes sufocar o coração; voltavam com uma sensação inaudita de alívio compensador.
Todo o Rio de Janeiro conhecia-lhe o nome, desde as plagas suburbanas mais distantes até os bairros elegantes de Botafogo e Laranjeiras. Os carros, vitórias e tílburis, rolavam pelo calçamento das ruas, assinalando com o estridor das ferraduras dos cavalos a pressa dos seus passageiros. Eram consulentes que deixavam os palacetes ricos do Flamengo e do Catete e corriam atraídos pela fama extraordinária do médico suburbano. Dos ricos clientes recebia a justa remuneração pelos seus trabalhos, que lhe permitia socorrer os seus clientes pobres, abrindo-lhes as mãos, para nelas deixar cair os óbolos solicitados.
Durante os últimos quatro anos de sua vida, a situação de sua família era a mais precária possível. Nada mais lhes restava, além de um nome ilibado e de uma disposição sempre crescente para lutar.
Foi na entrada do Século XX, logo nos primeiros dias de janeiro de 1900, que o “Médico dos Pobres”, acometido por violento ataque de congestão cerebral, prostrou-se no seu leito pobre, donde jamais se levantaria. Imobilizado, sem a palavra, com os seus verdes olhos a distinguir em cada visitante um seu consulente, viu também com os olhos do espírito a aproximação, tão desejada por ele, do término da sua missão na Terra.
E, assim, as onze e meia horas do dia onze de abril de 1900, desceu a Graça Suprema, para que ele pudesse prosseguir, espiritualmente, na missão que lhe fora outorgada por Deus.

Título :Bezerra de Menezes
Autor:L. Maurity
Fonte:Bezerra de Menezes - Sua Vida e sua Obra

Bezerra de Menezes

O Espírita

Muito de propósito deixei para o fim a descrição da vida espiritista de Bezerra de Menezes.
“Longe de mim pretender – com que seria ridícula”- repetirei com o seu biógrafo Acquarone – “apresentar a vida de Bezerra de Menezes dentro dos processos da análise psíquica. Não. “Seria tarefa de grave cometimento, capaz de ser realizada apenas por cérebros consagrados”.
O seu espírito “altamente iluminado”continua, até hoje, a dispensar o seu amparo caridoso a todos aqueles que demandam as tendas espíritas, em busca de bálsamo para o corpo ou de paz para o espírito”.
Leiamos ainda Acquarone: - Nascido e criado sob os auspícios do catolicismo, conservara-o até então, como uma tradição transmitida pelo amor dos pais.
Como todo o moço de família do interior nordestino, o seu catolicismo era, contudo, eivado de fatos espíritas, acontecidos aqui e ali, e que respingavam a sua adolescência.
No Norte, aliás onde as crendices de toda a espécie encontram guarida em seu vasto e variadíssimo folclore, a noção religiosa, entre as famílias do interior, apresenta-se repleta de acontecimentos espiritóides e lendas do sobrenatural.
Assim é que, desde criança, Bezerra se acostumara a ouvir as mais estranhas narrações, onde apareciam seres extravagantes, como capetas, mulas sem cabeça. Iaras e quejandas superstições.
As histórias de almas do outro mundo, de demônios e casas mal-assombradas, repontavam a miúde, deixando na alma do garoto estigmas de pavor e sentimentos de medo.
Em tudo ele acreditava, como acontece com todos os da sua idade. Mesmo porque tais baboseiras não eram apenas apresentadas pela boca dos sertanejos incultos; até as pessoas gradas do local falavam delas, com o devido respeito supersticioso...
Aos sete anos, por exemplo, ouvira dizer que as almas dos mortos vêm constantemente visitar os vivos... Isto causou uma profunda impressão no cérebro do pequeno, que passou várias noites alarmado e amedrontado.
Aos nove anos, na mesma freguesia em que nascera, certa vez, uma moça conhecida de sua família foi vítima de uma possessão horrível. A infeliz debateu-se, durante dias, em sofrimentos angustiantes. Chamado o vigário da localidade, que era o padre Frutuoso, este, solicitamente compareceu a fim de aplicar o exorcismo com que costumava restituir a calma ao paciente, em casos tais...
Daquela vez, porém, o exorcismo nada adiantou; e padre Frutuoso, bem como o meritíssimo juiz local, declarou solenemente à população que o diabo havia entrado no corpo daquela moça...
Esta, no dia seguinte, voltava a si, naturalmente, pois a obsessão findara.
O fato, no entanto, causou funda impressão em toda a gente. Bezerra, pelo menos, dele se lembrava sempre, como a primeira dúvida que lhe inspirara a ineficiência do catolicismo...
O curso de Bezerra de Menezes, na Escola de Medicina do Rio de Janeiro, ficou na vida do “Kardec brasileiro”como uma página afirmativa da vontade e da fé extremadas que sempre o animaram na conquista de seus ideais e na consecução de seus sonhos.
Esses cinco anos foram, efetivamente, sublimados por toda espécie de renúncias e de sacrifícios, suportados, aliás, com resignação e serenidade.
Múltiplas eram, sem dúvida, as necessidades que o cercavam tentando quebrantar-lhe o ânimo; este porém, ao contato do derrotismo ambiente, como que se desdobrava, multiplicando forças e acumulando energias para a luta futura.
Não fora, portanto, o estímulo da própria vontade, essa espécie de autopropulsão que impele os indivíduos fortes para o clarão do ideal colimado, e o nosso pobre estudante teria fatalmente sucumbido, abafado sob escombros de um fracasso ruidoso...
Pobre, um dos estudantes mais pobres do seu tempo, viu-se na necessidade de lecionar, desde o segundo ano,a fim de se poder manter na Faculdade. Dava aulas, nas horas de intervalo e à noite.
Nos momentos em que os colegas concediam tréguas ao cérebro, Bezerra impunha mais trabalho ao seu.
Como não possuía livros, estudava nas bibliotecas públicas. Preferia isso a pedir os compêndios dos companheiros.
Não era por orgulho que assim procedia; muito menos por falta de simpatias na turma. Nada disso. É que o seu temperamento arredio e tímido, ditava-lhe essas atitudes que lhe foram, em parte, plasmando o caráter de homem habituado a contar consigo mesmo, embora pudessem os outros contar com o seu esforço, incondicionalmente.
Destacava-se dos demais por uma linha de conduta impecável, linha que nunca foi quebrada em momento algum.
Por isso mesmo era geral a estima que lhe dedicavam. E causava até certa impressão à turma o aspecto daquele moço forte, corado e de olhos meigos e inteligentes, que lembrava o tipo racial dos nórdicos europeus, casando a pujança física à humildade bondosa da sua alma simples. Não gostava de “repúblicas”, as famosas repúblicas de estudantes do seu tempo, onde a estúrdia imperava e o bom senso, as vezes, periclitava a valer...
Nunca as freqüentou. Preferia mesmo viver só, morar no seu quarto pobre, e ali, sem mais ninguém, estudar sem descanso.
Tudo isso mais e mais impressionava os colegas que, por fim, se habituaram a enxergar nele uma espécie de conselheiro e amigo dos mais avisados. Suas palavras meditadas, plenas de reflexão e suavidade, eram ouvidas, em silêncio, pela turma que o cercava, cheia de respeito e admiração.
Dir-se-ia que já naquela ocasião Bezerra se preparava para ser o guia futuro dos seus coevos, o chefe espiritual das multidões que o iriam escutar mais tarde, quando a sua palavra, ungida pela doutrina e pela fé, tivesse ressonâncias mais estranhas e mais penetrantes...
A esse tempo um sopro de ateísmo perpassava pelo mundo inteiro. As idéias heréticas, agitadas pelas filosofias de todas as épocas, secavam o campo espiritual, como um pampeiro destruidor, solapando as últimas raízes da fé que ainda resistiam no pensamento e no coração das massas.
Somente os pobres de espírito, aqueles que não tentavam devassar o abismo dos conhecimentos, conservavam ainda o fervor religioso.
Mas a mocidade estudiosa, essa, a medida que conquistava maior cabedal de cultura, declarava-se, desde logo, de um ateísmo irrevogável.
As tertúlias agitavam as “repúblicas”; e os meios acadêmicos, ao contato dessa onda renovadora de sentimentos, acabou, também, por convencer-se da vitória antideísta, perdendo a fé que, como ele mesmo confessava mais tarde, “não era firmada na razão”.
Quanto a Bezerra de Menezes, a convivência com o ateísmo trouxe-lhe a dúvida... E desde então um ceticismo brando principiou a crescer e a tomar vulto no seu pensamento. No fundo, porém, conservava-se deista e animista.
Sobre estas questões, aliás, ele nunca se expandia, inteiramente, com os colegas. Limitava-se a ouvir e a ler, sobretudo ler muito.
No seu quarto modesto, cercado pela miséria do ambiente, assistiu a queda estrepitosa das velhas crendices e das superstições absurdas que, até àquela data, tanto haviam contribuído para impedir o vôo do seu espírito e a maior amplitude do seu pensamento.
Há um fato na vida de Bezerra de Menezes que, de tão citado, já se tornou por demais conhecido; revela ele, contudo, a primeira manifestação do mundo invisível ao espírito do então jovem estudante.
É o seguinte: certa vez sentia-se o nosso futuro esculápio em sérias dificuldades financeiras.
Não havia ninguém a quem ele pudesse pedir. A única pessoa que as vezes lhe valia em momentos tais era um alfaiate, velho conhecido da província. Este, de quando em quando, emprestava-lhe dez ou vinte mil réis, até que os alunos lhe pagassem as aulas.
Vejamos como ele próprio relata esses fatos:
“O que me valia era o alfaiate, a quem pagava um tanto por mês pela roupa que lhe mandava fazer e que, por minha pontualidade no pagamento, me supria, de vez em quando, nos meus maiores apuros, uns vinte ou trinta mil réis, que nunca mais do que isso lhe pedi. Mas agora precisava de cinqüenta, pois tinha que comprar botinas e chapéu e alugar, ida e volta, um rossinante. Oh!, como me batia o coração à idéia do homem abanar-me a cabeça! Além do vexame, o pesar de não ir à festa do Cardoso, em casa do tio Anselmo, onde já via, pelo pensamento, brilharem duas estrelas: os olhos da prima Gertrudinha. Só esta perspectiva me decidiu na tremenda luta de ir ou não ir ao meu banqueiro.
À porta, ia recuar, entendendo que era melhor não me expor a uma vergonha e, mesmo, na melhor hipótese, não contrair uma dívida que me cativaria por muito tempo... Mas o caixeiro, que me conhecia, veio a mim saber o que queria. “Ala jacta est”. Vencer ou morrer. Perguntei-lhe: O Sr. Faria está? Respondeu-me ele: “Embarcou ontem para a Europa, mas se precisa de alguma coisa, está aí o contra-mestre”. Foi uma punhalada que me dissipou as fumaças de flamejar no Itaboraí; mas foi ao mesmo tempo um calmante para minha agitação, quer de passar por uma vergonha, quer de contrair uma dívida que é sempre um cancro, de que poucos, quando se torna um hábito, se salvam. Dever, para quem se preza, é sempre uma escravidão moral que não se resgata senão por sacrifícios e que perturba a alma durante toda a sua permanência. Dei costas a casa, onde ia prender grande parte do meu futuro, porque cinqüenta mil réis, para mim, eram tanto como cinqüenta contos para outros. Voltei mais alegre do que triste, lembrando-me do que ouvi à minha mãe: “Boa romaria faz quem em casa fica em paz”.
De outra feita o caso foi mais sério, pois as taxas na Faculdade estavam à sua espera. Se Bezerra não lhes satisfizesse o pagamento arriscava-se a perder o ano.
E não era só. O senhorio, sujeito atrevidaço e sem entranhas, ameaçava pô-lo na rua.
Desesperado – uma das poucas vezes em que Bezerra desesperou na vida – e como não fosse incrédulo, ergueu os olhos ao alto e apelou para Deus.
Nessa ocasião bateram à porta. Era um moço de fisionomia simpática e atitudes polidas que vinha tratar umas aulas de matemática. Bezerra recusou, a princípio, confessando mesmo ser esta a matéria que ele mais detestava. O visitante relutou; por fim lembrando-se de sua situação desesperadora, Bezerra resolveu aceitar.
O moço, sob o pretexto de que podia esbanjar a mesada recebida do pai, pediu licença para efetuar o pagamento adiantadamente.
Após alguma relutância, convencido, acedeu. Combinado o dia e a hora para o início das aulas, o visitante despediu-se. Bezerra não cabia em si de contente. Nesse mesmo dia liquidou o aluguel e as taxas de exame na Faculdade.
Lembrou-se, porém, do compromisso, e, como não possuísse livro algum sobre a matéria, correu à Biblioteca e, durante horas, devassou com sofreguidão os vários pontos para a próxima aula.
Essa, todavia não se realizou; nem essa nem outra qualquer, pelo simples motivo de que o discípulo não mais apareceu. Dias se passaram e... nem viva-alma...
Isto preocupou sobremaneira o jovem estudante que nunca deixou de se referir a tal fato como uma das primeiras manifestações do auxílio que o mundo invisível pode dispensar a qualquer espírito angustioso.
Em todo caso, concluía ele, jovialmente – foi essa a única vez em que estudei a fundo uma lição de matemática; o fato, assim mesmo, para alguma coisa me serviu”...
Espiritualista por vocação, todas as vezes que sua alma sensível era posta em prova, subiam-lhe do subconsciente os eflúvios recalcados de sua religiosidade. Isto aconteceu quando o golpe da viuvez o alanceou de forma brutal.
Buscando consolação, o “médico dos pobres” voltou-se com toda a unção para o consolo benéfico da religião. Entrou a ler a Bíblia.
Lia-a e meditava longamente sobre o mundo de ensinamentos que ali se contém. Por esta época, 1869, falecia em Paris o Codificador do Espiritismo, Allan Kardec. Sem o seu sábio orientador, à imensa coorte de espíritas, legava Kardec as suas obras.
Assim, “a grande campanha de fé e de ciência iria continuar por todos os recantos do globo como a pregação de um evangelho redentor.
Foi quando deputado, que Bezerra de Menezes teve o primeiro contacto intelectual com Allan Kardec, lendo o “Livro dos Espíritos”, que lhe oferecia o conhecido espírita dr. Travassos, em um encontro na cidade, quando aquele se encaminhava para tomar o bonde, de retorno ao lar.
Bezerra morava na Tijuca. Logo que se instalou no banco, sem distração alguma que lhe amenizasse o longo trajeto até a casa, abriu displicentemente o volume e correu os olhos por algumas páginas. Interessando-se desde logo, monologou: “Ora adeus! Não irei com certeza para o inferno, só por ler isto!...” E atirou-se vivamente à leitura.
À medida que avançava pelo texto afora, uma perplexidade intensa o invadia. Ouçamo-lo com as suas próprias palavras: - “L ia. Mas não encontrava nada que fosse novo para o meu espírito. Entretanto tudo aquilo era novo para mim!... Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no “Livro dos Espíritos”... Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou, como se diz vulgarmente, de nascença”...
Tal fato, como vimos, impressionou vivamente o espírito de Bezerra de Menezes.
Mais tarde, porém, conseguiu compreender a causa desse fenômeno. É que ele era um espírito inconsciente, já naquele tempo...
Por essa época Bezerra, que fora reeleito para o cargo de vereador em 1864, casara-se, em segundas núpcias, com d. Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã materna de sua primeira mulher e de quem teve sete filhos.
Sua companheira, desta vez, foi aquela que o deveria acompanhar até que ele cerrasse os olhos, seguindo-o e amparando-o com um desvelo e um carinho verdadeiramente extraordinários.
Bezerra multiplicava então a sua atividade, desdobrando-se para atender a serviços consideráveis.
Na política, vira o seu nome aclamado na Câmara, para onde fora eleito deputado geral, em 1867. Sustentou aí tremendas lutas, combatendo, especialmente, o famoso ministério Zacarias. Era um tempo tumultuoso na política do país. As coisas chegaram a tal ponto que o Governo Imperial decidiu dissolver a própria Câmara, no ano seguinte.
Isto significava a vitória do partido conservador e a queda do partido liberal. Tal como seu pai, outrora, na província do Ceará, ele também, como liberal, sofreu a perseguição dos contrários. E o domínio dos seus antagonistas se estender por um decênio longo. Nesse período, várias eram as empresas que reclamavam a orientação criteriosa e justa de Bezerra de Menezes.
Basta dizer que, além da ação política, de forma quase absorvente, exercia ele o cargo de presidente da “Companhia Carris Urbanos”’ e da “Estrada de Ferro Macaé-Campos”, da qual era fundador.
Com todas essas preocupações, não deixou todavia de prosseguir nas lutas partidárias, não obstante a Câmara encontrar-se de portas fechadas. Sua palavra nos comícios, e sua pena, na imprensa, não tiveram repouso nesses dez anos. Escrevia continuamente na “A Reforma”, órgão liberal da Corte.
Voltando à campanha eleitoral, pois a Câmara fora reconstituída, viu-se novamente eleito deputado, em 1878, mandato que exerceu por dois anos, pois que em 1880, era designado para presidente da Câmara Municipal e líder do seu partido.
Nesta escala ascencional no tablado da política, Bezerra poderia ainda ter ocupado lugares de maior destaque, alargando seu horizonte de ambições e de conquistas.
Mas é que ele não possuía, positivamente, o estofo ou a estrutura do homem político; sua espinha, sempre ereta, não se acostumava às curvaturas com que a sabujice política produz em seus filhos, caráteres de plasticidade duvidosa...
São dele as seguintes palavras , insertas no seu livro: “Casamento e Mortalha”: “A imprensa, já em declínio para o vergonhoso estado de hoje, vasa imunda onde se deposita o lixo de todas as paixões ignóbeis; sentina onde a ralé tem certeza de encontrar os mercenários instrumentos para satisfazer os seus mais depravados instintos, mas também o sexto sentido dos povos, como disse Sycies; o fio dourado da transmissão do pensamento, que já foi uma luz em nossa terra, quando dirigida pelos homens mais respeitáveis da sociedade, era dirigida agora pela escória social e acolhia e fazia sua a causa torpe dos especuladores, que o presidente da Câmara tinha por dever enxotar do templo”.
Bezerra sempre se mostrou inamoldável às falsas conjurações do regime. Principalmente na ocasião em que ele mergulhava o espírito nos doutos ensinamentos da terceira revelação.
O Espiritismo como seita e como ciência, continuava a angariar adeptos, trazendo para o seu seio pessoas de reconhecida relevância social.
Com o desenvolvimento da doutrina, todavia, várias dissenções repontaram entre os seus asseclas...
Esboçavam-se os primórdios da longa cisão, que amargos frutos haveria de trazer ao seio da família espírita no Brasil.
É que os dois partidos, o dos “científicos”e o dos “místicos”, principiavam a traçar as fronteiras destinadas a limitar, mais tarde, as atividades de cada um.
Os primeiros não aceitavam senão os fenômenos espíritas, em sua intrinsica relação com as leis científicas da física e da metapsíquica; os demais, que aceitavam a doutrina de Jesus, através da revelação de Kardec intitulavam-se, os “Cardecistas”.
Conhecidas já as suas tendências espiritualistas, Bezerra de Menezes passou logo a ser procurado por membros da família espírita do Brasil.
Dois partidos se formaram então, àquela época, em 1876, o dos “científicos” e o dos “místicos”.
Os primeiros “aceitavam os fenômenos espíritas em sua intrínseca relação com as leis científicas da física e da metafísica” e os segundos, aceitando “a doutrina de Jesus, através da revelação de Kardec, intitulavam-se os “Cardecistas”.
Atendendo pela primeira vez a um “consulente da doutrina, sobre a orientação que deveria imprimir ao jornal “Reformador”, na luta travada entre os dois citados grupos, Bezerra de Menezes, cuja alma já se encontrava impregnada pela sabedoria calma do mestre, aconselhou o jornalista a imprimir uma política discreta, sem o nivelamento dos processos de ataque, mas firme em suas afirmativas.
“Não combater o ódio com as armas do ódio, aconselhou ele, mas combate-lo “de preferência com o amor”...
Eram assim “os” seus ensinamentos.
Foi da resolução da “família espírita brasileira” ainda sem rumo certo e disseminada, que nasceu a idéia da fundação de uma agremiação, a que então, se daria o nome de “Federação Espírita Brasileira”.
Bezerra de Menezes, dado o relevo da sua mentalidade, foi um dos primeiros a ser convidado para dirigir a novel sociedade.
Recusou-se, por ser avesso a toda a espécie de proeminências, reconhecida como era a sua incontestável modéstia, e também por não se julgar ainda suficientemente investido de preparo indispensável para liderar qualquer movimento, de ordem doutrinária, na Capital.
Rejeitou todos os cargos, fiel às suas convicções e foi mais longe ainda: não consentiu que o seu nome figurasse entre os fundadores da Federação.
“Seu espírito procurava vasculhar, diz Acquarone, com a curiosidade peculiar aos homens de ciência, os arcanos da revelação de Kardec”.
Foi em 16 de agosto de 1886, - nunca vos esqueçais desta data, - que o dr. Adolfo Bezerra de Menezes perante um auditório de cerca de duas mil pessoas da melhor sociedade proclamou a sua adesão ao Espiritismo.
Foi atônita, pela surpresa da proclamação do “eminente médico dos pobres”, do eminente político, do eminente cidadão, do eminente católico, que a sociedade do Rio de Janeiro recebeu a notícia da sua conversão.
O mistério também da sua conversão devera, em grande parcela, ao louvado médium homeopata espírita, João Gonçalves do Nascimento.
Ouçamos ainda Acquarone:
João Gonçalves do Nascimento conquistou, assim, centenas e centenas de novos prosélitos para a bandeira do verdadeiro cristianismo.
Bezerra de Menezes, se não foi um deles, ficou a dever, contudo, ao grande médium, uma parcela considerável da sua convicção. De fato, embora já viesse ele, há tempos, estudando atentamente as questões relativas ao espiritismo, não possuía ainda a persuasão completa, única que pode levar ao conhecimento perfeito de qualquer doutrina.
Tanto falaram, porém, aos ouvidos de Bezerra, dos prodígios de João do Nascimento, que ele decidiu por fim, “tirar a limpo a questão”...
E, sem mais delongas, enviou também ao médium o seu pedido de receita, em um pedacinho de papel, onde escrevera os dados indispensáveis: “Adolfo, tantos anos, residente na Tijuca”.
Mandou e ficou aguardando. O resultado não se fez esperar. Veio logo a resposta. Nela estava o diagnóstico perfeito, completo, iniludível da terrível dispepsia que tanto o atormentava!...
Tal fato calou intensamente no íntimo do médico, que principiou, desde então, a aprofundar-se mais ainda, na momentosa questão espírita.
Tal questão invadia o mundo sábio, abalando velhas crenças e trazendo novas luzes ao espírito dos estudiosos.
Feita a primeira prova, Bezerra de Menezes – “desde logo aceitou a imposição da discutida doutrina e assim enveredou, seguro, pelo novo rumo que lhe traçara a nova ordem de convicções”.
Foi pela imprensa que ele começou a se bater pela doutrina que ele julgava pura. No jornal “O País”, de Quintino Bocaiúva, que mais tarde se tornou um fervoroso adepto da doutrina, exibiu ele “as primícias dos seus princípios elevados, revestidos do cavalheirismo da mais apurada linguagem”.
Em crônicas seguidas desenvolveu os seus conhecimentos doutrinários, transmitindo aos seus leitores. Em estudos outros, em obras lançadas à publicidade, ele se confirmava o insigne pregador espírita, o intérprete esclarecido da doutrina cardecista e orientador seguro das instituições espiritistas.
Com 64 anos de idade foi escolhido para Presidente da Federação Espírita Brasileira.
A esse tempo era ele um velho forte, de estatura quase atlética e de tronco largo, encimado por uma cabeça “leonina”, emoldurada pela prata dos cabelos e das barbas.
Leiamos o que escreveu Acquarone, estudando o seu estado de alma naquele período em que assumia a chefia da “Família Espírita Brasileira”: Quando Bezerra de Menezes ocupou o cargo de presidente da Federação contava sessenta e quatro anos de idade. Seu ânimo se mantinha ainda inquebrantável e sereno diante do tumulto dos homens; seu espírito culto e superior pairava com tranqüilidade acima das paixões menos dignas; contudo, um desgosto profundo morava-lhe no fundo do coração: o desgosto que lhe trazia a incompreensão que a humanidade possuía em relação à sua verdadeira missão na Terra.
Os homens bons eram ainda muito poucos.
Dentro do seu imenso desconforto, o “Médico dos Pobres” chegara a conclusão de que o terreno, onde haviam tombado os conselhos de Jesus era o mais estéril possível.
Os comezinhos princípios de solidariedade eram menosprezados por aqueles que tinham obrigação de pregar aos mais humildes.
O “amai-vos uns aos outros” perdera-se na Galiléia, como se perderam os demais preceitos do Mestre. O lema constituído pelos três dogmas “Deus, Cristo e Caridade” era uma bandeira inútil, para a qual os homens não erguiam os olhos e à sombra da qual os pecadores não procuravam acolhimento.
Bezerra de Menezes sentia essas coisas todas, em virtude das profundas decepções sofridas, no transcurso de sua vida.
A política, que o absorvera durante longos anos e onde ele ingressara com a melhor das intenções, enchera-o de nojo.
Aprendera nela coisas edificantes! Vira como a traição, constituída em moeda corrente, solapava o caráter e a dignidade dos homens, tornando-os meros conquistadores de posições.
Assistira ao jogo nefando das paixões, no tablado negro das competições. Ódio, amor aos ideais inconfessáveis, desrespeito aos princípios partidários, vinganças e delações, tudo, tudo o que é torpe e deturpador da justiça e do direito, desfilára-lhe debaixo dos olhos atonitamente abertos.
Em sua passagem pela vida pública, Bezerra de Menezes tivera uma visão profunda do panorama negro das lutas humanas.
Isto, que para muitos constitui uma escola perniciosa de vícios e de crimes morais, serviu para dar maior apuro ao caráter do “Médico dos Pobres”. O que para uns é um mal, para outros torna-se um bem. O espírito de Bezerra era um campo magnífico para a cultura de sensações as mais diversas.
Cadinho de emoções boas, dentro dele referviam e se fundiam ao mais variados sentimentos, soldando-se em liga indestrutível.
Seu caráter se plasmou assim como um verdadeiro broquel, impenetrável aos golpes traiçoeiros dos seus inimigos. No entanto, a paisagem moral da política povoada por tantas paixões egoísticas, enfastiava profundamente o médico altruísta. E foi cheio de tédio e de repugnância que ele abandonou a carreira.
Decidiu então dedicar-se ao bem dos seus semelhantes, exercendo sua verdadeira profissão e da qual fora tão injustamente afastado pelo ouro falso, mas tentador, das maquinações políticas.
Estava velho. Velho e pobre. Sentia-se contudo forte e saudável. E os poucos anos que ainda lhe restavam seriam empregados no apostolado do bem.
Obediente ao lema da doutrina espírita, muito poderia trabalhar em prol dos necessitados, de corpo e de espírito. E, se assim decidiu, melhor executou esse programa íntimo.
Tornou-se desde então, exclusivamente médico homeopata e a sua figura avultou como o verdadeiro delegado da aliança espiritual entre Deus e os homens.
De 1895 a 1900, ano em que o seu espírito se librou no espaço, Bezerra sagrou o seu nome como o de um verdadeiro “Médico dos Pobres”.
Chefe da família espírita na Capital da República, exerceu nesse último lustro da sua vida uma autêntica missão de apóstolo e de benfeitor.
De todo o dinheirão ganho, ao tempo em que dirigia várias companhias comerciais, nada mais lhe restava. Vivia pobremente, com a família, em uma casa longínqua dos subúrbios da Central.
Também não ambicionava conquistar, outra vez, grandes proventos, só porque estes pudessem trazer-lhe conforto material.
Seu espírito, já sublimado pelo sofrimento alheio e pela compreensão integral da doutrina cristã, estava acrisolado e imáculo.
Recebia os que o procuravam e deles, na maior parte dos casos, recebia também um sorriso de gratidão.
De nada mais necessitava; pois se até o pouco, pouquíssimo que possuía ainda, era repartido com os demais!
Inúmeros casos poderiam ser citados como prova da sua ação beneficente em favor dos necessitados. Seria no entanto fastidiosa a repetição dos mesmos gestos de profunda elegância moral do apóstolo. Porque os gestos, de fato, se repetiam com uma constância enternecedora.
Quando Bezerra, por exemplo, era ainda presidente de uma companhia de carris, deixava certo dia os escritórios da mesma, na rua Sete de Setembro. Seis horas da tarde; como dirigente escrupuloso, era sempre o último a sair, após assistir ao fechamento das portas do escritório. Dispunha-se a descer a via pública, rumo do largo de São Francisco de Paula, onde iria tomar o bonde para a Tijuca.
Já na calçada, Bezerra encontrou um velho conhecido, que o abordou nervoso e trêmulo.
-Que é isso meu caro? Que sucedeu?
O homenzinho com a fisionomia transtornada e angustiosa, contou que acabara de perder o filho e que, desempregado, e desprovido de recursos, vinha precisamente para falar ao velho amigo...
Bezerra não pediu mais explicações. Chamou-o para o desvão de uma porta, enfiou a larga mão ossuda na algibeira da calça e sacou da carteira.
-Toma, meu “velho”. Leva, leva isto. É tudo o que tenho no momento. Espera; ainda há mais! E vasculhou os bolsos do colete de onde retirou alguns níqueis. O infeliz relutou. Mas Bezerra meteu-lhe a carteira e as moedas no bolso do casaco e, sem mais conversas, ganhou a rua.
Com lágrimas nos olhos o amigo se despediu. Quanto havia na carteira? Nem mesmo Bezerra o sabia; nem lhe importava saber. Desceu a rua Sete de Setembro e chegou ao largo. Já instalado no bonde, com o jornal aberto sobre os joelhos, meteu os dedos nos bolsos do colete e só então se lembrou de que lá não existia uma moeda sequer!
Calmamente, saltou e se dirigiu a uma casa conhecida, onde foi pedir, pelo menos, os trezentos réis da passagem...
Quando isso não acontecia Bezerra caminhava mesmo a pé, percorrendo, o longo trajeto da farmácia onde clinicava, na estação do Riachuelo, até à sua moradia, em São Cristóvão.
Sem um níquel sequer, arrastava durante o percurso, o seu corpanzil pesado, de homem forte e hercúleo. Muitas vezes sentia-se exausto, sopesando o esforço de tão longas caminhadas. Mas o médico dos pobres recebia essas provações com o prazer indizível de um verdadeiro homem de fé.
Torna-se de qualquer forma inconcebível o fato de um clínico despojar-se de todos os seus recursos de ocasião e até mesmo dos seus próprios honorários só para auxiliar e socorrer os clientes pobres que o procuravam.
A respeito conta-se até um episódio edificante e que muito concorrerá para a compreensão do espírito altamente cristão de Bezerra de Menezes.
É o seguinte:
Estava ele, certa manhã em seu consultório, quando recebeu a visita de um paciente, reconhecidamente rico e admirador do facultativo. Após a consulta, como de costume, este indagou do preço a pagar; e como de costume, Bezerra esboçou um gesto vago, uma evasiva cortês.
O cliente meteu a mão na algibeira e de lá retirou um pequeno envelope fechado, colocando-o sobre a mesa. Compreendendo o gesto, o médico agradeceu e...passou a outro cliente.
Entrou dessa vez uma pobre mulher, com um filhinho nos braços. Seu aspecto traduzia a miséria em que vivia.
Fez a consulta, para si e para o filhinho. Bezerra deu-lhe a receita e as recomendações da dieta: ovos, leite, alimentação nutriente...
A mulher teve um sorriso amargo, e explicou que mal possuía dinheiro para comprar um pouco de pão.
Bezerra, como sempre fazia, remexeu os bolsos e nada encontrou, pois já havia cedido o último tostão. Olhou em torno, desolado e deu com os olhos no envelope que estava sobre a mesa. Tomou-o e o entregou à mulher. – Leva-o; deve ter qualquer coisa para a sua dieta... A consulente partiu e o trabalho do médico continuou. Minutos após volta à sua presença a mesma mulher com a criança. – Doutor Bezerra, o senhor se enganou....
-Como assim, minha filha? - O senhor me deu em envelope errado. E estendeu para o médico um pequeno maço de cédulas. – Aqui tem um conto de réis! O senhor se enganou.
Bezerra sorriu e afirmou, bondosamente: - Não minha filha; não me enganei. Eu sabia que neste envelope estava um conto de réis! Dei-o porque não necessito dele agora. Quanto a você ele lhe poderá ser de muita utilidade.
Nesse dia, Bezerra de Menezes foi para casa a pé...

Bezerra de Menezes

O Político

Residia o dr. Adolfo Bezerra de Menezes no bairro de São Cristóvão, da cidade do Rio de Janeiro, por volta de 1860.
Agitara-se a política da capital e a Câmara Municipal tinha como presidente o dr. Roberto Jorge Haddock Lobo, pertencente ao partido conservador, combatido fortemente pelos liberais, embora, pela sua influência, dominasse naquela corporação legislativa.
Todo esse movimento não prendia a sua atenção, porque estava “entregue somente aos misteres de sua profissão e aos negócios de sua família”.
Em certa reunião, em que tomaram parte políticos filiados a ambos os partidos, levantaram a sua candidatura, como representante da paróquia de São Cristóvão, à Câmara Municipal.
Não quis aceitar a indicação, quando lhe foram dar conhecimento da resolução daquela assembléia política. Com a interferência de um amigo, que, em nome de sua amizade o procurou, para modificar a sua primeira atenção, comprometeu-se apenas não fazer uma declaração pública de não aceitar os votos que lhe fossem dados.
Travado o pleito, foi Bezerra de Menezes eleito pelo partido liberal, “cujas idéias abraçava, mas sem alarde”, diz um dos seus biógrafos.
Os seus adversários tentaram arrancar-lhe a cadeira, sob a alegação de que os militares de segunda classe não podiam ser Vereadores.
Tornou-se questão de honra para Bezerra de Menezes a atitude assumida pelos filiados ao partido conservador e assim resolveu a incompatibilidade, requerendo a sua exoneração do cargo de assistente do cirurgião mor do exército.
De meados de 1863 até 1880, com exceção do quatriênio 1869-1873, em que não teve reunião na Câmara – foi ele a cabeça diretora dos negócios da municipalidade.
“Uma coisa se pode, desde já, adiantar, e é que – pela política abandonou a brilhante e proveitosa carreira que seguira, achando-se hoje reduzido ao mais precário estado de fortuna, quando devia ser, pela clínica, abastado capitalista”, diz o seu biógrafo Levy Santos, no seu trabalho “o dr. Bezerra de Menezes”.
Veio assim se confirmar o que lhe previra o seu pai, ao dar-lhe o último abraço: que nunca se envolvesse em política, “para não lhe acontecer o que com ele se dera – ser atirado para um lado depois de haver arriscado a vida e sacrificado a fortuna em bem de um partido”.
Prosseguiu Bezerra de Menezes nas lutas políticas pelo seu partido, “a que se entregara de corpo e alma, quer na imprensa, quer nas lides disciplinares”.
Em 1866 era Bezerra de Menezes eleito deputado, apesar da oposição do ministro Zacarias e dos chefes liberais Souza Franco e Francisco Otaviano.
Mas no parlamento o triunfo era completo. Orador consciencioso e de largos recursos de retórica, “doublé”de analista sutil e honesto das questões públicas, viu-se em pouco cercado da estima e da admiração dos seus pares.
A política – de ordinário tão ingrata – dava-lhe prêmio merecido, mercê dos seus esforços tenazes. Bezerra vencia na vida pública.